Balanco da ABF mostra crescimento do setor de franquias e internacionalização

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A ABF – Associação Brasileira de Franchising divulga hoje os números consolidados da Pesquisa de Desempenho do setor em 2016. Todos os esforços empreendidos na indústria do franchising no ano passado resultaram num crescimento de 8,3% na receita em relação a 2015, um pouco acima da projeção feita pela entidade que apontou um índice de crescimento na faixa de 6% a 8%. O faturamento do setor foi de R$ 139,593 bilhões para R$ 151,247 bilhões.

“O setor de franquias brasileiro enfrentou com muito profissionalismo e dedicação o desafiador cenário econômico brasileiro e, com isso, preservou suas operações. Atribuímos este desempenho à preparação que o setor vem adotando desde 2012, à busca incessante por eficiência e novos mercados e a ações para atrair um consumidor ainda retraído. Além disso, a operação em rede foi mais importante do que nunca, favorecendo a renegociação de custos, a troca de experiências e o desenvolvimento conjunto de novas estratégias”, declara Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

A queda da inflação, o aparecimento de alguns sinais de melhora na confiança do empresariado e do consumidor, o maior rigor fiscal na esfera pública e a abertura de 20 novos shoppings (fonte: Abrasce) também contribuíram para o desempenho positivo do setor. “Alguns segmentos se destacaram pela inovação, seja desenvolvendo novos canais de venda, estratégias no mercado digital, seja explorando novos nichos. É o caso, por exemplo, das clínicas de saúde popular e serviços de marketing digital”, completa o presidente da ABF.

Outro movimento captado pela pesquisa foi a permanência da expansão das redes de franquia para o interior do Brasil. Em 2016, o franchising alcançou 42%, ou 2.321 dos 5.570 municípios brasileiros, tendo registrado presença em 40% das cidades no ano anterior.De acordo com Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF, “esse é um movimento crescente do franchising, que acompanha o próprio varejo de uma forma geral. A maior capilaridade das redes para cidades menores, fora dos grandes centros urbanos, deverá se manter nos próximos anos. A busca das redes por novos mercados, os custos mais baixos e o desejo dos consumidores em ter acesso a marcas conhecidas e a seus produtos e serviços são fatores que contribuem para esse movimento.”

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Nas grandes cidades, a estratégia de expansão tem avançado para bairros mais distantes por meio de outros formatos de operação. A pesquisa revelou, ainda, a evidência da interiorização, dado que Campinas é a única cidade que não é capital na seleta lista das dez cidades com maior número de unidades no País, com índice de participação de 1,6% na distribuição de unidades entre 2015 e 2016.

Mesmo com um mercado de trabalho ainda em retração, o setor de franquias conseguiu manter o nível de empregabilidade no setor. De acordo com a pesquisa, foram registrados no ano passado 1.192.495 trabalhadores diretos no sistema de franquias ante 1.189.785 em 2015, o que representa uma variação positiva de 0,2%.

Segundo a pesquisa da ABF, em 2016 o número de unidades de franquias em operação no País totalizou 142.593, uma expansão de 3,1% frente a 2015, quando foram registrados 138.343 pontos de venda (PDVs). A taxa de mortalidade no ano foi de 5,1%. “Com a retração do PIB e do consumo de forma geral, houve um aumento desse indicador dentro da margem esperada. Além de estar sempre alerta, este é o momento que o empreendedor deve estar próximo à operação e ao franqueador para realizar as ações necessárias com agilidade”, explica Claudio Tieghi.

Redes refletem maior maturidade do mercado

De acordo com o levantamento, o número de redes de franquia em atividade no Brasil no ano passado foi de 3.039, registrando um decréscimo de 1,1% em relação a 2015, quando havia 3.073 marcas. Segundo o presidente da ABF, o dado revela um maior amadurecimento do franchising brasileiro, em que há menos marcas com mais unidades. “O mercado norte-americano, o maior do franchising mundial, é um exemplo disso. Segundo o World Franchise Council, os Estados Unidos são o quarto país do mundo em número de redes, mas o primeiro em unidades de franquia. Temos também que levar em conta movimentos de fusões e aquisições e o fortalecimento de holdings de franquias”, ressalta Altino Cristofoletti.

A ABF desenvolveu a partir de 2016 uma nova classificação dos segmentos do franchising que possibilitou fornecer ao mercado uma radiografia mais precisa da participação de cada um dos 11 segmentos e dos respectivos subsegmentos no mercado. “A reclassificação fortaleceu a representatividade e proporcionou uma leitura mais apurada dos diversos segmentos, subsegmentos e dos ramos de atuação das redes”, explica Claudio Tieghi.

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Os segmentos estão assim classificados: Alimentação; Casa e Construção; Comunicação, Informática e Eletrônicos;Entretenimento e Lazer; Hotelaria e Turismo; Limpeza e Conservação; Moda; Saúde, Beleza e Bem-Estar; Serviços Automotivos; Serviços Educacionais e Serviços e Outros Negócios.

De acordo com a pesquisa da ABF, Saúde, Beleza e Bem-Estar foi o segmento que apresentou a maior variação de faturamento no período, com 15,5% de crescimento em relação a 2015. A ascensão de redes de clínicas médicas populares, que ganharam espaço frente à retração do mercado de trabalho e à consequente saída de usuários dos planos de saúde, a utilização de novos canais de venda (porta a porta), além da entrada de novas marcas e de grandes players no mercado favoreceram esse desempenho. As marcas Hinode, Quem Disse, Berenice? e Sobrancelhas Design são exemplos desse crescimento.

Serviços Automotivos teve o segundo melhor índice de crescimento no mesmo período, registrando 11,6% de variação. O mercado de veículos seminovos registrou uma expansão considerável no ano passado, além do fato de as redes de serviços automotivos oferecerem aos clientes padrão de atendimento e agilidade como diferenciais frente a negócios tradicionais. Entre as marcas que exemplificam esse bom desempenho estão Bono Pneus, Jet Oil e Make-up Estética Automotiva.

O segmento de Moda destacou-se em terceiro lugar, alcançando um crescimento de 10,4% na comparação com 2015. A oferta de novos produtos, as estratégias de promoção e a expansão das redes são fatores que explicam esse crescimento. As marcas que ilustram o bom desempenho no segmento são Clube Melissa, Hope Lingerie e Jorge Bischoff.

Alimentação manteve seu bom desempenho e com receita 8,8% maior em relação ao ano anterior ficou em 4º lugar. O segmento que individualmente é o mais representativo do franchising e está entre os mais tradicionais do setor lançou mão de promoções e da diversificação de canais de venda, como aplicativos, criando uma nova experiência de compra para o consumidor e reduzindo eventuais atritos. Cacau Show, Chiquinho Sorvetes e Mania de Churrasco são marcas que exemplificam esse crescimento.

 

Internacionalização continua

De acordo com a pesquisa da ABF, atualmente 138 marcas nacionais operam em 61 países. Deste total, 130 possuem unidades e 12 são exportadoras (8 apenas exportam e 4 também possuem unidades lá fora), enviando seus produtos para 80 destinos em todo o mundo. Em 2015, eram 134 redes presentes em 60 nações.

No ano passado, 14 novos países passaram a contar com operações de redes brasileiras: Antígua e Barbuda, Congo, Dominica, Granada, Ilhas Virgens Britânicas, Índia, Israel, Jamaica, Jordânia, Marrocos, São Cristóvão e Neves, Suriname, Tailândia e Turquia. Além disso, 11 marcas brasileiras se internacionalizaram: Acaí Concept, Arquivar – Gestão de Documentos, Colchão Inteligente – Postural, Fast Acaí, Guia-se Negócios pela Internet, Limpidus, Nutty Bavarian, Ronaldo Academy, Sergios, Socila e UPTIME – Comunicação em Inglês.

Para o diretor de inteligência de mercado, “a maior profissionalização, o aumento da competitividade entre as empresas, com a vinda de redes estrangeiras para o Brasil, também têm contribuído para a expansão internacional das marcas brasileiras. E o que podemos observar também é que há certa mudança na cultura exportadora do Brasil, um país que por ter um mercado interno muito grande somente há poucas décadas começou a mirar o exterior”.

Os Estados Unidos continuam liderando a lista dos países com maior número de operações de franquias brasileiras (49). Em segundo lugar está o Paraguai (29) e Portugal (26) em terceiro. “Aumentou sobremaneira o número de marcas brasileiras nos Estados Unidos com ao menos uma unidade, com o objetivo inicial de testar a operação num mercado atraente e altamente competitivo. Já a expansão em países da América Latina e de língua portuguesa [veja quadro abaixo] está relacionada à localização geográfica e à similaridade do idioma. Destaque para o Paraguai, que passou da terceira para a segunda posição entre os países com mais redes brasileiras, atraídas tanto pela proximidade geográfica e cultural, como pelo bom desempenho econômico paraguaio”, completa Tieghi

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