Franqueados formam associação para se defenderem das más condutas no mercado de franquias

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Neste dia 29 de junho, os ex-franqueados do Grupo Boticário, Douglas Nunes, Jamilson Maria de Macedo Soares e Hortênsia Maria Alves de Lucena vão tomar posse na Associação Brasileira de Franqueados (Asbraf), em Brasília. A associação é uma iniciativa de franqueados e ex-franqueados de várias marcas espalhadas pelo país com o objetivo de promover uma interface entre as empresas franqueadoras e os franqueados.

De acordo com Douglas Nunes, diretor de relações institucionais da Asbraf, a associação quer contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento sustentável do sistema de franquia empresarial brasileiro e dos impactos quantitativos e qualitativos de geração de empregos, postos de trabalho e elevação de renda que esse modelo de negócio proporciona em todas as regiões do país. “É preciso termos uma entidade para representar os franqueados que é o elo mais fraco dessa cadeia”, explica.

Nunes afirma que a associação também quer combater o abuso do poder econômico de empresas franqueadoras, representado por atos impositivos e unilaterais, ou qualquer outra forma de exploração. “É muito comum as empresas franqueadoras serem arbitrárias com os franqueados que é a parte mais fraca da cadeia e consequentemente quem acaba sendo mais prejudicado pelo sistema”, conta diretor da associação.

Para Hortênsia, diretora de mercado da Asbraf, a formação dessa associação é de tamanha importância para o mercado brasileiro de franchising pois até hoje só existe entidade para representar os franqueadores. “Agora teremos uma representatividade muito importante para o franqueado que é quem mais sofre com as práticas abusivas dessas grandes empresas”.

imagem da empresa

Jamilson, vice-presidente da Asbraf e também ex-franqueado de O Boticário, acredita que agora é a hora de arrumar esse mercado e defender os franqueados dos maus franqueadores. “Sempre que as empresas implementam algo em suas redes elas não avaliam os impactos que essas ações causam ao franqueado. Com essa entidade poderemos intervir nessas ações e denunciar qualquer prática de abuso de poder dos franqueadores. Queremos tornar a classe de franqueados reconhecida, valorizada e respeitada”.

Conheça a história dos três diretores ex-franqueados de O Boticário

O diretor institucional da Asbraf, Douglas Nunes, foi franqueado de O Boticário em João Pessoa por mais de 30 anos. Suas lojas receberam diversos prêmios do Grupo por excelência na gestão, que avaliava todos os âmbitos inclusive o atendimento ao cliente, como também foi reconhecido por instituições na Paraíba como o Programa Paraibano da Qualidade (PPQ).

Finanças empresariais

Porém, o relacionamento com o fraqueado foi abalado por conta de uma atitude agressiva do Grupo Boticário que obrigou os franqueados a aderirem a um canal de vendas que causou a quebra de diversas franquias pelo País.

Diante disso, foi firmado um acordo assinado pelo próprio presidente, Arthur Grynbaum, em caráter irretratável e irrevogável, que foi quebrado pelo Grupo Boticário no início do mês de dezembro de 2016. “Na verdade depois percebemos que esse acordo era apenas uma manipulação pra deixar as lojas desabastecidas, exatamente no mês de maior faturamento do ano, nos causando enormes prejuízos”, conta Douglas.

A diretora de mercado da Asbraf, Hortênsia Maria Alves de Lucena, foi franqueada da cidade de Belo Jardim, em Pernambuco, por mais de 20 anos e conta que o declínio de suas lojas começou com a implantação do sistema de vendas direta. “Pernambuco foi o primeiro estado a começar com esse sistema, foi imposto e não tivemos como não entrar nele, isso começou em 2011. Minhas lojas faturavam muito bem, mas esse novo modelo só trouxe prejuízo”, explica.

 

A empresária fechou suas lojas em julho de 2014 e entrou na justiça pedindo ressarcimento de seus prejuízos já que possuía lojas rentáveis e que a proposta para serem repassadas era de valores abaixo do mercado. “Me senti muito mal, antes do Artur Grynbaum os franqueados eram tratados como uma família, depois que ele entrou passamos a ser apenas números, nada mais do que isso”, conta.

O vice-presidente da Asbraf, Jamilson Maria de Macedo Soares, ex-franqueado das cidades de Ipatinga e Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, por mais de 30 anos, lembra que passou por situações bem complicadas com o franqueador e que começou a ter prejuízos bem altos após a implantação do sistema de Vendas Direta. “Eu tinha 10 unidades de O Boticário, uma da Quem Disse Berenice? e uma Central de Vendas Direta com mais de 1.300 revendedoras. Chegamos a receber muitos prêmios de eficiência em gestão, ou seja, nossa administração foi muito bem reconhecida com resultados muito satisfatórios, mas do dia para a noite deixamos de ser interessantes para o Grupo”, diz.

Segundo Jamilson, o Grupo Boticário rescindiu seu contrato de franqueado arbitrariamente e a proposta para que suas lojas fossem repassadas foi reduzida mesmo após entendimento anterior para valores muito abaixo do mercado. “Depois de mais de 30 anos trabalhando para o Grupo eles disseram que minha gestão não era eficiente. Isso é muito contraditório, mas infelizmente é assim que eles estão tratando quem construiu a imagem da marca no Brasil”, conclui.

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