Especialista aponta erros de gestão em empresas familiares

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De acordo com pesquisas, em média, sete em cada dez empresas familiares não chegam à segunda geração. Não mais que 20% chegam à terceira. A seguir, Pedro Adachi, especialista no assunto e fundador da Societàs Consultoria, fala sobre os principais erros que essas empresas cometem.

Um dos maiores problemas que as empresas familiares podem ter – e muitas têm – é negar que problemas existem. “A maioria das companhias acabam enfrentando alguns tipos de conflito ao longo de sua trajetória”, afirma Pedro Adachi, fundador da consultoria Societás, especializada no tema – ele mesmo, herdeiro de terceira geração da companhia batizada com seu sobrenome do meio, Podboi. “No entanto, muitas também são as que negam que os conflitos existem.” Sem assumi-los, é impossível resolvê-los.  Segundo Pedro, esse deslize é um dos maiores responsáveis por cavar a morte das empresas.

empresas familiares

Não pedir ajuda

Entre as empresas que reconhecem seus problemas, há aquelas que se recusam a pedir ajuda de especialistas externos para resolvê-los. “Muitas companhias até enxergam seus conflitos, mas querem resolvê-los sozinhas”, diz Adachi. “É como estar doente e, em vez de procurar o médico, tomar remédio caseiro. Repetindo esse comportamento ao longo do tempo, a pessoa tende a morrer. O mesmo vale para a empresa.”

Pedir ajuda à pessoa errada

Reconhecer o problema e pedir ajuda pode, contudo, não bastar. “Outro equívoco comum é pedir a ajuda errada”, diz Adachi. Segundo ele, é preciso escolher um especialista externo com conhecimento comprovado de causa para garantir um bom diagnóstico, que levará ao remédio mais apropriado.

Há ainda aqueles empresários que procuram as fórmulas prontas. “É um erro erro é pensar: ‘Se meu vizinho fez isso e funcionou, tentarei o mesmo’.”, diz o consultor. “Quando se trata de pessoas, não dá para copiar e colar. É preciso entender, caso a caso, o que está acontecendo.”

Sucessão

O momento de fazer a sucessão da liderança de uma geração para outra costuma ser um momento delicado, de estresse e de conflitos para muitas famílias. Tanto do ponto de vista da propriedade do negócio quanto da liderança executiva. No caso da propriedade, a resolução pode passar pela organização de uma holding – ou outra estrutura adequada para dividir o patrimônio entre os membros da família. O mesmo vale para a definição das funções dos integrantes que participam do negócio.

Regras não tão claras

Em empresas familiares, geralmente a cultura é forte. Mas isso não basta para garantir que os processos e relações sigam os princípios de uma boa governança. Para garantir as melhores práticas, é preciso colocar as regras de conduta no papel.

Segundo Pedro Adachi, não ter regras claras é uma receita – essa, sim, quase certa – para a falência do negócio no longo prazo. “Sem definir os procedimentos, os acionistas estão cultivando o sumiço, a morte da companhia”, enfatiza.

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