Vale a pena investir em uma nanofranquia?

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Será que investir em uma nanofranquia vale a pena? Essa é uma pergunta que paira muitos empreendedores que querem apostar suas fichas em uma franquia, mas têm limitações de orçamento. Neste texto, vamos elencar os prós e os contras dessa opção para ajudar você a decidir.

Antes, porém, vamos recapitular algumas definições, só para ter certeza de que estamos falando da mesma coisa.

vale-a-pena-investir-em-uma-nanofranquia.jpeg

Efeito da crise

As nanofranquias surgiram no mercado de franchising por volta de 2010, ano em que a crise começou a apertar o orçamento dos brasileiros. Elas foram criadas com o objetivo de possibilitar opções de franquias muito baratas, com investimento, na época, de até R$ 20 mil. Hoje, há quem considere que todas as franquias com custo de até R$ 80 mil são nano, mas o mais comum é estabelecer um limite de R$ 50 mil.

A ideia era tentar contrabalançar os efeitos da crise oferecendo modelos de negócio mais enxutos e, por consequência, mais baratos, em um momento em que pouca gente teria disposição para investir mais que centenas de milhares de reais em novos negócios.

A modéstia do investimento também costuma estar presente no resultado, mas há muita gente que defenda que o custo-benefício, isto é, a lucratividade sobre o investimento, das nanofranquias é superior, em grande parte das vezes, às de suas irmãs maiores e mais famosas.

Em uma coisa, porém, todo mundo concorda: o esforço do franqueado terá de ser maior. Afinal, um negócio de alguns poucos mil reais não tem como faturar o mesmo volume de outro de centenas de milhares em um curto espaço de tempo nem tem recursos para isso, dependendo muito do próprio empreendedor colocar a mão na massa.

O segredo das nanofranquias

A característica que torna o sucesso de uma nanofranquia possível é, acima de qualquer outra, o modelo de negócio. Desenvolver uma ideia que elimine muitos custos, como mão de obra, matéria-prima e aluguel de ponto, entre outras, e mesmo assim mantenha a atratividade, a visibilidade e o interesse dos clientes.

O principal das nanofranquias é o pequeno empreendedor. São principalmente (embora não apenas) pessoas que perderam seu emprego ou parte considerável de sua renda e agora precisam fazer dinheiro, mas não têm grandes valores para investir.

Cabe aos franqueadores, então, desenhar um modelo simples, de baixo custo e que potencialize a dedicação de tempo e de esforço de pessoas com esse perfil. Taxas mais baixas, treinamento simples, mas consistente, e custos diretos e indiretos sob controle.

Vantagens: quando a nanofranquia vale a pena

Há diversas vantagens nas nanofranquias que, quando apresentadas de forma eficiente e consistente, podem levá-las ao sucesso. Uma delas é a padronização dos serviços que dá à marca, mesmo se tratando de um produto mais popular, uma imagem positiva com o consumidor.

Outra qualidade considerável pode ser o regime de tributação de algumas nanofranquias. Por se tratarem de produtos e serviços mais baratos e negócios enxutos, o faturamento de alguma delas pode se adequar aos requisitos necessários para que o empreendedor seja enquadrado como Microempreendedor Individual, o famoso MEI, que tem um regime tributário muito mais leve.

Ajuda também o fato de que o limite de faturamento anual do MEI, que atualmente é de R$ 60 mil anuais, vai aumentar para R$ 81 mil, em 2018. O único imposto pago nessa modalidade é a contribuição mensal, que hoje está em torno de R$ 50, referente ao INSS do microempreendedor.

Também na questão financeira, as taxas mensais cobradas pelos franqueadores são mais baixas ou até inexistentes. O fundo de propaganda, por exemplo, é voltado para opções mais em conta, como publicidade em redes sociais.

Flexibilidade

Um dos pontos fortes das nanofranquias é o esforço que elas fazem para caberem no bolso de seus franqueados. Há quem facilite o pagamento ao ponto de dividir o investimento no cartão ou em cheques.

Outro modelo que deu certo são as da nanofranquias em módulos, isto é, com preços variáveis dependendo da quantidade de produtos, do formato do negócio ou do tamanho da cidade onde está sendo instalado.

A flexibilidade das nanofranquias também se destaca na hora da escolha do local onde a empresa vai funcionar. Há dezenas de possibilidades de nanofranquias que apostam no home office como um diferencial de custo e também de qualidade de vida para o franqueado, que gasta menos e fica mais perto da família, trabalhando em casa.

Contras: quando o risco fica grande

Claro que também há pontos negativos. A nossa própria experiência nos ensina a desconfiar das opções mais em conta. Quem nunca ouviu falar do famoso “barato que sai caro”?

Mas não é com frases feitas ou preconceitos que se faz a melhor análise de um negócio. Por isso, vamos apresentar os principais problemas que acometem as nanofranquias para que você possa avaliar até que ponto eles são compatíveis com o seu contexto.

Preparo deficiente

Pelas características desse tipo de negócio, é muito comum que as nanofranquias sejam a opção de muitos “marinheiros de primeira viagem”, empreendedores com pouca ou nenhuma vivência na gestão de empresas. Dificuldades com a gestão financeira e da equipe aparecem rapidamente e podem colocar o negócio em xeque.

Uma das formas mais comuns disso acontecer é quando o dinheiro da pessoa física e o da empresa começam a se misturar. Esse problema, aliás, está longe de ser uma exclusividade das nanofranquias e parece ser mais uma característica da deficiente educação financeira da maioria dos brasileiros. Esse ponto precisa ser uma das prioridades no treinamento dos franqueados.

O ideal seria que os franqueadores oferecessem aos franqueados programas e conteúdos sobre planejamento financeiro. Muitas vezes, um  plano básico de contas faz a diferença para o franqueado entender o quanto ele precisa reservar para suas despesas e o que sobra para investir.

Caminho mais longo

Para uma empresa que nasce para ser pequena, encontrar o caminho das pedras pode ser muito mais difícil. O dinheiro que há para investir é pouco, proporcional ao baixo custo da franquia.

Para uma nanofranquia, é essencial poder contar com uma divulgação centrada no boca a boca e na indicação de clientes satisfeitos. Por outro lado, sempre que possível, é importante investir um pouco em mídia, especialmente para empresas que não têm ponto na rua ou em lugares movimentados. Se o seu negócio funciona em home office, por exemplo, você precisa ser notado de alguma maneira.

Baixa entrega dos franqueadores

Bom, no fundo tomo mundo sabe. Se uma franquia tem um custo muito baixo, não dá para esperar que ela ofereça a mesma assistência e conhecimento de mercado de uma que custa dez, vinte vezes mais.

Não há mágica possível, se está barato é porque se enxugou muita coisa. Isso, claro, não impede a nanofranquia de, ainda assim, ser um bom negócio, mas não dá para achar que vai ser uma franquia com serviços semelhantes aos das grandes marcas desse mercado.

Em outros casos, há franquias que não são sustentáveis do ponto de vista de seus planos de negócio. Então, é comum que os franqueadores apostem em ganhar muito durante pouco tempo, multiplicando exponencialmente o número de franqueados. O sistema, porém, acaba falindo por falta de consistência e trazendo prejuízos para quem apostou nele.

Isso acontece porque o crescimento em alta velocidade significa um aumento das demandas e pressões sobre os franqueadores. Muitos treinamentos, visitas, sessões de orientação para a escolha do ponto e por aí vai.

Prestar esse tipo de acompanhamento não é fácil de fazer e muito menos de ampliar em um curto espaço de tempo. A tendência é que a qualidade seja a primeira vítima da avaliação incorreta cometida por franqueadores e franqueados.

Por fim, é preciso entender a lógica que está por trás daquela oferta. O negócio é realmente bom? Se a resposta for sim, por que os donos resolveram franquear em vez de abrir lojas próprias? Será que a franquia seria a única forma de crescimento da marca ou se trata apenas de uma maneira do franqueador ganhar algum a mais? Essas perguntas precisam ser feitas.

Muitas vezes, a resposta a que você vai chegar é ou o modelo de negócio do franqueador é o de fazer a marca crescer com recursos de terceiros ou de transformar os franqueados em vendedores de luxo. Com um detalhe, em vez de pagar salários e comissões para o vendedor, o franqueador vai receber.

Pode parecer desanimador, mas é uma dose de realidade necessária. E a melhor notícia é que há, sim, exemplos de boas apostas no mercado de nanofranquias. Basta tomar alguns cuidados que veremos a seguir.

Cuidados ao investir em uma franquia barata

Existem boas práticas universais na hora de escolher e avaliar um negócio. O primeiro deles, obviamente, é ir aos números. Será que a marca como um todo e as lojas dos franqueados, em particular, estão tendo um retorno coerente com a expectativa do potencial empreendedor?

Por isso, antes de fazer qualquer escolha ou investimento, o candidato a franqueado precisa fazer alguns “deveres de casa”: visitar as unidades próximas da região onde ele pretende se instalar e ver os resultados que estão tendo, bem como pesquisar na internet os depoimentos e as avaliações dos atuais franqueados para entender como é a relação da marca franqueadora com eles.

Nessa pesquisa, você também pode descobrir o que os consumidores pensam da marca, qual o perfil de quem consome o produto/serviço da franquia e como isso se enquadra à sua realidade e ao contexto em que você pretende instalar seu negócio.

Tomar qualquer tipo de decisão sobre esse investimento debaixo de emoção ou de pressão pode ser uma péssima escolha. Pessoas com a situação financeira complicada são especialmente expostas a essa situação. A vontade de dar uma “virada”, muitas vezes fecha os olhos para os problemas e dificuldades do empreendimento a que elas se propõem.

Muitas vezes, tudo o que o franqueado vai encontrar é um modelo de negócios mal pensado, pouco testado e/ou com produtos difíceis de vender, seja por causa da baixa demanda, seja pelo desconhecimento total da marca.

Conhecendo o franqueador

Quando não se conhece o que move o franqueador não é uma boa ideia investir em uma franquia, inclusive as nano. Saber a motivação do criador ou responsável pela marca ajuda a entender onde você está se metendo e o que pode esperar da empresa que você escolheu para representar.

Avalie o suporte oferecido para os franqueados. Veja o quanto isso importa para o franqueador. Não entre em ciladas em que você só vai ver o franqueado por ocasião da assinatura do contrato e nunca mais. A lei exige que franqueados deem apoio aos seus franqueadores. Você não pode se contentar com nada menos do que isso.

Realismo financeiro

Há empreendedores que cometem o erro grave de esperar que haja um excelente retorno financeiro já nos primeiros dias de operação. Não reservam capital de giro nem contam com uma verba para emergências. Para esses, o caminho mais provável é a decepção.

Se o investimento é pequeno, o resultado, quantitativamente, também será. Além disso, todo negócio precisa de um tempo para decolar e mais algum para se estabilizar.

Analisar as planilhas, números e previsões que fazem parte do kit do franqueado, assim como estudar sobre o mercado de sua potencial franquia, ajudam a construir uma expectativa mais realista sobre os resultados.

Colocar todo o seu dinheiro em um negócio sem tomar esses cuidados é falta grave e pode trazer sérios problemas para o empreendedor: o negócio para nos primeiros meses, asfixiado pela falta de recursos.

Nessa equação, precisam entrar os custos específicos de uma franquia, como royalties e taxa de publicidade e propaganda. Muitas vezes, uma nanofranquia se comporta como uma gigante do setor na hora de estabelecer os valores que os franqueados vão pagar.

Optar ou não por uma franquia barata é uma decisão que pode ser bem difícil, não é? Perceber quando uma nanofranquia vale a pena é um desafio nada simples para o empreendedor. Nessa hora, toda ajuda é bem-vinda. Nossos especialistas, por exemplo, podem auxiliar você a fazer a melhor escolha. Entre em contato com a gente!

Comentários